Projecto de telemedicina de Angola : Entrevistas no Hospital Provincial da Lunda-Sul

O Hospital Provincial da Lunda-Sul faz parte dos hospitais escolhidos para fazerem parte do projecto piloto de telemedicina em Angola. O projecto que esta a ser desenvolvido pelo Ministério da Saúde de Angola em colaboração com o Projecto RAFT (Rede Africa Francófona de Telemedicina) dos Hospitais Universitários de Genebra-Suíça, pretende desenvolver à telemedicina para a formação continua à distancia dos profissionais da saúde e também a ajuda ao diagnostico e tratamento de pacientes à distancia.  O projecto vai permitir uma ligação entre 7 Hospitais: Hopital Americo Boavida e Hospital Pediatrico David Bernardino em Luanda, e os Hospitais Provinciais de Cabinda, Bengo, Malange, Lunda-Sul e Bié.  No Hospital Provincial da Lunda-Sul, o projecto esta a ser  dirigido pela Directora Geral do Hospital, a Dra Hortensia Miguel, e o Director Administrativo,  o Sr. Francisco Alberto Guerra.

Dra Hortensia Miguel, Directora Geral do Hospital Provincial da Lunda-Sul

Dra Hortensia Miguel

<< Para nos a telemedicina vai ser uma inovação. Tem muita mais valia pelos seus aspectos de ensino a distancia porque nos temos aqui quadros que merecem capacitação cada vez mais e também eu acho que é um aspecto que vai ser um incentivo. Por exemplo há médicos que terminam a sua formação e não querem vir às províncias porque pensam que não têm como evoluir. Não têm como continuar à sua formação. Mas com a telemedicina e o ensino a distancia, mesmo os recém formados poderão fazer à sua periferia e continuar os seus estudos.

A outra vertente do tele-diagnostico também é importante porque isso incentiva os nossos especialistas à estudarem cada vez mais os casos porque também têm que responder. E naquelas áreas onde não temos especialistas temos a vantagem de ter acesso à outros especialistas. Acho que é muito importante. Nos agradecemos este gesto do Ministério da Saúde em colaboração com o projecto de Genebra. O que nos esperamos é que o sinal seja estendido às unidades hospitalares que nos referenciam pacientes>>

 

Director Administrativo , Sr. Francisco Alberto Guerra

Francisco Alberto Guerra<<O projecto de telemedicina, tem uma grande vantagem para os hospitais , especialmente para hospitais como o nosso porque vai ajudar-nos à resolver muitos casos clínicos, muitas situações, onde até agora faltava nos um suporte. Vai permitir um melhor acompanhamento, um melhor desempenho para prestação de serviços médicos. Eu acredito que vai ser uma expansão. Vai haver um intercâmbio de conhecimento na área medica. Uma maior abertura para o conhecimento que vai permitir elevar o nível de profissionalismo dos nosso profissionais que praticam no nosso hospital. Vão ter a possibilidade de interagir, evoluir. Estar ao corrente das novas tendências que estão a surgir cada dia no mundo da medicina. Estamos dispostos, estamos engajados para que tudo de certo, e que os nossos médicos tenham a satisfação que desejam para podermos atingir os nossos objectivos>>

Preparação do projecto nacional de Telemedicina em Angola

No âmbito da preparação do projecto de telemedicina de Angola, desenvolvido pelo Ministério da Saúde de Angola (MINSA) em colaboração com o Projecto RAFT (Rede Africa de Telemedicina) dos  Hospitais Universitários de Genebra - Suíça, foi realizada uma visita de estudo aos diferentes Hospitais do projecto: Hospital Américo Boavida e Hospital Pediátrico David Bernardino em Luanda, assim como os Hospitais Provinciais de Cabinda, Malange, Bengo, Lunda-Sul e Bié.

A visita foi efectuada por uma delegação composta por membros do Projecto de Reforço dos Serviços municipais de Saúde do MINSA e um representante dos Hospitais Universitários de Genebra. O objectivo da visita foi a apresentação do  projecto de telemedicina  às equipas dos hospitais e a explicação dos objectivos e actividades que se vão desenvolver neste novo domínio. Trata-se sobretudo do ensino à distancia para a formação continua dos profissionais da saúde e também o télé-diagnostico, ou seja a ajuda à distancia para o diagnostico e gestão de casos clínicos mais complexos. Isto será possível utilizando software desenvolvido pelo Projecto RAFT-Suíça, criado para funcionar em condições de banda larga limitada.

Em cada hospital foi determinada uma equipa de coordenação do projecto:

Hospital Americo Boavida :

  • Coordenador médico Nome: Dr. Fortunato Silva
  • Coordenador técnico : Sr. Hugo Alexandre Jaime Augusto

Hospital Pediátrico David Bernardino

  • Coordenadora médica: Dra. Sebastiana Gamboa
  • Coordenador técnico : Eng° Monteiro Bila

Hospital Provincial de Cabinda

  • Coordenador médicos: Dr. Paulo Kibinda
  • Coordenador técnico :  Gabriel Mananga

Hospital Provincial do Bengo:

  • Coordenador médico:  Dr. Timóteo
  • Coordenador técnico: Sr. Crosbi dos Santos

Hospital Provincial de Malange:

  • Coordenador médico :Dr. Jacob N'Lenvo Diata
  • Coordenador técnico: Sr. Nicolau F. J. da Costa Lavres

Hospital Provincial da Lunda-Sul:

  • Coordenador médico: Dr. Estêvão
  • Coordenador técnico : Sr. Francisco Alberto Guerra

Hospital Provincial do Bié:

  • Coordenadora médica: Dra. Indira
  • Coordenador técnico: Sr. Maximiano

 

Programa de Revitalização do Sistema Nacional de Saúde a Nível Municipal

Em 2006, o Ministério da Saúde de Angola (MINSA) iniciou a implementação do Programa de Revitalização do Sistema Nacional de Saúde a Nível Municipal, a Municipalização dos Serviços de saúde.

A Municipalização dos Serviços de Saúde tem por objectivo acelerar o alcance dos objectivos e metas do Milénio e do Executivo, particularmente a redução da mortalidade materna e infantil, o controlo das grandes endemias, o reforço das estruturas e capacidades municipais de saúde.

É no município onde de facto tudo acontece, onde se operacionaliza a Politica Nacional de Saúde e as Estratégias dos Programas de Saúde do MINSA. Porque o Municipio é a unidade de base de planificação, de organização de intervenções integradas e de articulação das políticas públicas e de implementação dos serviços e cuidados primários de saúde, incluindo a sua articulação com os níveis de referência e contra-referência secundário (provincial). Os Administradores Municipais são actores fundamentais na gestão, liderança e coordenação das acções e intervenções que promovam, ao nível local, o alcance dos objectivos fixados. Esta estratégia tem sido acompanhada por uma sustentabilidade politica, técnica e financeira.

Os serviços de saúde a nível do Município devem garantir a disponibilização em todas as unidades sanitárias, do pacote essencial de cuidados e serviços de saúde para prevenir, diagnosticar e tratar as principais doenças que mais afectam as populações, tais como a Malária, as Diarreias, as Doenças Respiratórias, o sarampo, a tuberculose, o SIDA, a Hipertensão, a Diabetes por profissionais capacitados e com uma logística eficiente, com abastecimento regular em medicamentos, vacinas, equipamentos e outros produtos às unidades sanitárias.

Estes serviços de saúde são oferecidos às populações sem acesso, através de equipas móveis e avançadas.

Os recursos humanos capacitados são essenciais para o sucesso desta estratégia.

Os parceiros estão alinhados e têm dado apoio ao reforço dos Cuidados Primários de Saúde. O Banco Mundial e a TOTAL E&P Angola, está a apoiar a implementação do projecto de Reforço dos Serviços Municipais de Saúde (PRMS)  para o desenvolvimento sanitário em Angola.

As estratégias principais do PRMS são:

(i) Desenvolver e melhorar a oferta de cuidados e serviços de saúde a nível municipal e provincial, com particular destaque para os Cuidados Obstétricos de Emergência e Neonatais

(ii) desenvolver uma experiência piloto para aumentar o parto institucional

(iii) Reforçar a capacidade institucional do MINSA ao nível central, provincial e municipal.

Dentro do desenvolvimento da estratégia (i) e alinhando-se com o objetivo de desenvolvimento do projeto, pretende-se introduzir a telemedicina em sete hospitais: Hospital Américo Boavida e Hospital Pediátrico David Bernardino em Luanda assim como os hospitais gerais nas províncias de Bengo, Lunda Sul, Malanje, Cabinda e Bié, o que dará valor acrescentado às questões relativas á acessibilidade e qualidade dos serviços prestados e às oportunidades de formação contínua dos profissionais de saúde.

Este desiderato, também se alinha com o Programa Nacional de Telemedicina, iniciado em 2007 com o projeto PEDITEL

O projeto de telemedicina está a ser realizado em parceria com os Hospitais Universitários de Genebra (Suiça) que têm uma experiência comprovada no desenvolvimento e aperfeiçoamento de redes de telemedicina em Africa através da sua rede de telemedicina RAFT (Rede de Africa francófona de telemedicina), com mais de dez anos de existência e já implementada em mais de 18 países.